9 de maio de 2017

todo dia (é dia)

desperta (forçadamente)
já não dormiu tanto
corre no café (mal tomado)
o beijo é mal dado,
o relógio pressiona,
passos rápidos
os pés pressentem a jornada
conta o tempo que passou,
assim como o tempo que falta:
falta tempo
falta espaço
falta liberdade
esquenta pouco a marmita
calcula o tempo que tem pra comer
que é pra ter tempo de ver o sol
ou a chuva
ou o frio
não se sabe
só nunca para de ver gente
(gente apressada)
corre pra não ultrapassar o limite
uma hora é o suficiente, não é?
falta muito pra ir
mas é pouco pra cumprir o que se espera
mais duas horas perdidas no transporte
se apressa no banho
que é pra dar tempo de se fazer o que ainda há pra ser feito
o beijo mal é dado
a conversa é rasa
o cansaço consome a vontade
o relógio avisa que é preciso dormir:
amanhã é outro dia
começa cedo
é preciso começar:
o tempo passa
a vida passa
mas as contas nunca param de chegar.

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